UM NATAL COMO NUNCA ANTES

É época de Natal outra vez. Quando essa época chega, a maioria das pessoas pensa “como o tempo passa depressa, já é Natal outra vez!”. Outras pessoas têm um sentimento de nostalgia, pensando em o quanto essa época parecia mais significativa no passado, quando eram crianças… Sim, temos a sensação de que o tempo passa, e a verdade é que “tudo passa rapidamente, e nós voamos, como diz o Salmo 90.10. E, por isso, talvez, também tenhamos a sensação de que os bons tempos do passado nunca mais voltarão. Mas eles podem voltar. A lembrança e a alegria pelo nascimento de Jesus podem ser contagiantes outra vez. Uma maneira de isso acontecer, é olharmos para um texto maravilhoso da Palavra de Deus, que está em Apocalipse 12.1-5

1 Viu-se grande sinal no céu, a saber, uma mulher vestida do sol com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça, 2 que, achando-se grávida, grita com as dores de parto, sofrendo tormentos para dar à luz. 3 Viu-se, também, outro sinal no céu, e eis um dragão, grande, vermelho, com sete cabeças, dez chifres e, nas cabeças, sete diademas. 4 A sua cauda arrastava a terça parte das estrelas do céu, as quais lançou para a terra; e o dragão se deteve em frente da mulher que estava para dar à luz, a fim de lhe devorar o filho quando nascesse. 5 Nasceu-lhe, pois, um filho varão, que há de reger todas as nações com cetro de ferro.

Antes de tudo, deixe-me dizer algumas poucas palavras sobre porque esse tipo de texto é tão difícil de entender. A maioria das pessoas vai até o livro de Apocalipse tentando descobrir o que vai acontecer no futuro. Elas acreditam que o Apocalipse tem uma espécie de agenda dos últimos dias. Elas ignoram o que está escrito em 1:19: “Escreve, pois, as coisas que viste, e as que são, e as que hão de acontecer depois destas”.

João deveria registar o que ele tinha visto. Sua visão cobre dois momentos: o passado (até o presente de João), e o futuro (o que deveria acontecer depois do presente de João). O grande objetivo do Espírito Santo que revelou essas coisas a João não foi satisfazer a curiosidade das pessoas sobre o futuro, mas contar a grande história da salvação divina que toma lugar em toda a história do mundo. Porém, o Espírito Santo decidiu fazer isso de uma maneira única e extraordinária, através de uma grande visão apocalíptica. Portanto, ele utilizou símbolos para revelar essa história a João. E quando João registrou a história, ele utilizou figuras, personagens e descrições do Antigo Testamento para fazer isso.

Então, já sabemos duas coisas fundamentais. Primeiro: O livro não narra apenas o futuro, mas a grande história da salvação. Segundo: O livro narra essa história através de símbolos construídos a partir de situações do Antigo Testamento. Agora vamos dar uma olhada no texto que estamos considerando. Qual grande texto do Antigo Testamento está por trás deste texto? Abra sua Bíblia em Gênesis 3:14-16:

14 Então, o Senhor Deus disse à serpente: Visto que isso fizeste, maldita és entre todos os animais domésticos e o és entre todos os animais selváticos; rastejarás sobre o teu ventre e comerás pó todos os dias da tua vida. 15 Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar. 16 E à mulher disse: Multiplicarei sobremodo os sofrimentos da tua gravidez; em meio de dores darás à luz filhos; o teu desejo será para o teu marido, e ele te governará.

Agora vamos comparar os dois textos. Em ambos há uma mulher. Em ambos uma serpente-dragão. Em ambos um filho, um descendente. Em ambos uma inimizade.

Então, agora sabemos que essa grande figura do capítulo 12 de Apocalipse está contando uma história antiga, a história de uma guerra que começou há muito tempo atrás.

  1. A ESPERANÇA DA MULHER

Quem é essa mulher de Ap 12? É evidente que ela é a mãe do Messias, o prometido do Antigo Testamento. Ela é Maria? Ou Eva? A resposta correta é ambas. E não apenas essas duas importantes mulheres, mas toda a descendência prometida, toda a semente santa, separada de geração em geração para trazer o messias ao mundo, na plenitude dos tempos, como Paulo fala em Gálatas 4.4. Olhe para as roupas dela. Elas falam muito a respeito dessa mulher. Há um lugar no Antigo Testamento onde o sol, a lua e doze estrelas aparecem. Num sonho. O sonho de uma das estrelas. José do Egito. Ele sonhou que o sol, a lua e onze estrelas se prostravam perante ele (Gn 37.9). Nós temos aqui um símbolo do povo da aliança no Antigo Testamento. Essa mulher, a descendência prometida, num dado momento da história, se vestiu das roupas de Israel. A nação de Israel é constantemente chamada de “esposa” do Senhor. A mulher está grávida. Ela grita por causa dos dores de parto. Deus disse isso para Eva. Você vai ter dores de parto (Gn 3.16). João está explicando que isso não significou apenas um sofrimento que Deus colocou sobre a mulher. Isso significou também uma esperança. Por causa disso, um dia o Messias nasceria. Por causa disso, um dia Deus reverteria todo o poder destruidor da Queda.

  1. A MONSTRUOSIDADE DO DRAGÃO

Mas olhe para a próxima cena. O que João vê? Um grande dragão vermelho, com sete cabeças e dez chifres, e em suas cabeças, sete diademas. Não temos dificuldade em descobrir quem é esse dragão. O próprio John diz isso. E ele diz com todas as letras em Apocalipse 12: 9: aquela serpente antiga, que se chama o diabo e Satanás.

Em Gênesis 3, havia uma mulher vestida com folhas, mas em Apocalipse 12, uma mulher vestida com o sol. Em Gênesis 3 havia uma serpente enganadora, em Apocalipse 12 nós vemos um dragão. Assim como João está contando o desenvolvimento da história da mulher, ele também está contando a história do dragão. Essa terrível criatura desempenha um papel importante na grande história da salvação. Mesmo em toda a sua malignidade, ele não deixa de fazer aquilo que Deus determinou que ele fizesse.

As pessoas têm cometido dois erros comuns quando pensam em Satanás. O primeiro parece ser o de superestimar o inimigo. Algumas pessoas pensam que Satanás é um rival de Deus. Atribuem a Satanás responsabilidade sobre tudo o que acontece de ruim nesse mundo. Essas pessoas enfraquecem a soberania de Deus por causa disso. Mas, por outro lado, algumas pessoas vivem como se Satanás não existisse. Elas subestimam o inimigo. Ambas as atitudes são perigosas.

Satanás é descrito em Apocalipse 12 como um poderoso inimigo. Um dragão vermelho. Ou seja, terrível e atrativo ao mesmo tempo. Em Apocalipse, o número sete é um número que indica perfeição. É um número divino. Duas vezes vemos o número sete descrevendo o inimigo aqui. Porém, o número dez é o que Apocalipse atribui ao inimigo. Uma vez aparece esse número. Em Apocalipse 5.6, Jesus foi descrito com três setes. Satanás quase chegou lá. Ele aparece com dois setes, mas um dez. Em Apocalipse é sempre assim. O inimigo tenta imitar Deus em tudo. Mas nunca consegue fazer isso totalmente.

III. A AMEAÇA DO DRAGÃO

Em seguida, no verso 4, João narra uma movimentação do dragão.

Alguns pensam que esse movimento do dragão, quando ele mexe sua cauda e lança um terço das estrelas do céu para a terra, que isso significa que ele arrastou um terço dos anjos celestes em sua rebelião. É possível que essa interpretação esteja correta. Em Apocalipse, geralmente anjos são descritos como estrelas. Mas também pode representar o povo de Deus. Pode significar a fúria dele contra o povo de Deus.

De qualquer modo, o ponto central da cena é a movimentação do dragão na direção da mulher grávida. Ele estaciona diante dela. Toda a atenção dele está nela. É claro que ele percebe que ela está grávida. Ele direciona toda a fúria dele contra a mulher, porém, não exatamente contra ela, e sim contra o filho dela. Ele quer devorar o filho dela? Por que? Gênesis 3.15 explica isso para nós. Deus disse algo para a serpente. Algo que o filho da mulher faria contra a cabeça da serpente. Satanás sempre soube que, o dia que visse o filho prometido, sua cabeça estaria em risco. Olhe mais uma vez para o texto. O que essa cena representa? Satanás está furioso diante da mulher. Que história João está contando? Ele está resumindo todo o Antigo Testamento, desde Genesis 3:15 até Belém da Judéia. Quando você ler outra vez o Antigo Testamento, preste atenção quantas vezes Satanás investiu contra a descendência prometida. Deixe-me listar algumas: Caim matou Abel. Aparentemente, isso já colocava um fim na história. Porém, Deus concedeu um terceiro filho, Sete. Mais tarde, a descendência de Sete se corrompeu em Gênesis 6 e Deus trouxe o dilúvio. Mais uma vez, aparentemente, isso colocava um fim na história. Mas Deus chamou Noé. Essa história vai se repetir quase infinitamente. Corrupção, pecado, destruição. Deus intervém, salva, liberta, renova, e continua a história. Agora veja um outro lado: Quantas mulheres eram estéreis na descendência prometida? Parece que nunca foi fácil mesmo trazer o messias ao mundo!

Mais alguns eventos importantes nessa história: A torre de Babel. Todas as disputas entre irmãos na descendência prometida, como Esaú e Jacó. A escravidão no Egito. Faraó matando os meninos no Egito. Saul tentando matar Davi. Atalia tentando matar todos os descendentes de Davi nos tempos de Joás. E, finalmente, a última tentativa do dragão de matar o filho. Agora nós somos transportados para Belém. Um bebê nasceu. Ele está na manjedoura. Mais tarde, magos vêm do oriente. Eles seguem uma estrela. Por causa deles, Herodes descobre que há um pretenso recém-nascido rei em Belém. O que Herodes faz? O mesmo de sempre. Tenta matar o menino. Essa foi a última vez que o dragão tentou despejar sua fúria sobre o descendente da mulher.

  1. O NASCIMENTO DO FILHO

Mas, então, chegamos ao verso 5. Teve o dragão sucesso em sua missão? O que aconteceu? Aconteceu exatamente o que Deus disse para ele em Gênesis 3.15. O Messias nasceu. O nascimento de Jesus representa o primeiro grande golpe divino sobre a cabeça da serpente. O último seria a cruz e a ressurreição (Hb 2.14, Cl 2.15).

O que o verso 5 de Ap 12 diz para nós? O verso diz que o dragão tem perdido desde o começo. Ele tem sido derrotado por Deus geração após geração, e sofreu a mais irreversível de todas as derrotas quando Jesus nasceu.

Nasceu aquele que veio para pastorear as nações com um cetro de ferro. Essa é uma descrição impressionante. O termo grego para “governar” é “pastorear”. O texto não está dizendo que Jesus veio para salvar as nações, nem mesmo para governa-las pacificamente. Ele veio para bater nelas. Como um pastor que bate nas ovelhas rebeldes. Veio trazer o juízo sobre elas. Mas antes de fazer isso, ele voltou para o céu, e assumiu seu posto no trono de Deus. Esse é o modo do Apocalipse resumir toda a vida de Jesus. Ele nasceu. Ele voltou para o céu. Ele tem o cetro de ferro em sua mão. Ele está preparado para pastorear as nações. Mas antes, ele quer recolher suas ovelhas no aprisco. Por isso o Evangelho deve ser pregado em todas as nações.

Agora eu vou fazer algumas aplicações desse texto para nós.

Primeiro, nós aprendemos que o Apocalipse conta a história da salvação como um todo. Isso significa que Deus está no controle dessa história. Ele agiu no passado, e ele continua agindo no presente, até nos mínimos detalhes, conduzindo tudo para o cumprimento de seus propósitos. Portanto, nós devemos admirar esse grande plano divino da salvação, e devemos ser gratos a Deus por tudo o que ele fez, e por tudo o que ele tem feito para nossa salvação.

Segundo, nós aprendemos a lidar corretamente com o inimigo. Não devemos ignorar as artimanhas dele. Ele nos odeia porque odiou Jesus primeiro.

Terceiro, nós aprendemos a reconhecer a importância do nascimento de Jesus. Os costumes, as festas, as tradições relacionadas a essa data significam muito pouco diante do que a Bíblia descreve. O nascimento de Jesus foi realmente algo grandioso. Por isso os anjos cantaram naquele dia. E, por isso, nós também devemos louvar a Deus. Sim, o nascimento de Jesus foi mesmo algo maravilhoso. Nós podemos nos alegrar outra vez por causa desse dom precioso de Deus para nós.

leandro

Rev. Leandro Antonio de Lima,  B. A., Th. B., Th. M.,  M. R. S., D. Litt.

Vice-Presidente para Assuntos Acadêmicos – vp.academico@fitref.online

 

18 de dezembro de 2017

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